A sequência de bons episódios em Fugitives continua com “1961”, revelando não apenas o passado sombrio daqueles que possuem poderes, mas também o efeito que suas decisões tiveram no presente.O texto a seguir contém informações reveladoras sobre este episódio. Se você não quer saber o que vai acontecer em Heroes, não leia este texto adiante.
Enquanto o volume de Fugitives caminha para sua conclusão, novos arcos começam a se formar. O acampamento de Coyote Sands agora se torna novo ponto de partida para se entender a fundação da Companhia. Apesar de vermos o início dessa formação, muita coisa ainda ficou encoberta, como os fatos que ocorreram de após a desavença entre Alice e Chandra Suresh.
Cavando o passado
Angela sempre foi uma personagem misteriosa, desde o começo da série. Ela sempre alegou que sacrifícios foram feitos em nome de um bem maior, e as causas de sua ação sempre foram um pouco nebulosas para todos ao seu redor, principalmente para sua família. Se lembrarmos do começo da primeira temporada podemos nos lembrar do quanto ela quis que Peter não descobrisse a verdade sobre à Companhia e a seus poderes.
Pouco depois sabemos que Angela foi uma das fundadoras da entidade e agora vemos claramente onde ela começa a perder sua inocência e a partir para as mais variadas formas de manipulação. A inserção de uma irmã desconhecida releva a culpa que Angela sempre carregou durante muito tempo. Ao pedir que todos cavassem, ela quis mostrar as atrocidades já cometidas pela perseguição a pessoas com poderes. Ou seja, o que eles estão vivendo agora não é nenhuma novidade. E tentar barrar essa perseguição parace ser algo impossível de se alcançar.
Com o poder de prever o futuro, ela aceitou com mais facilidade ter que fazer certos sacrifícios para se atingir um bem maior. Esse foi um dos discursos que ela apresentou ao apoiar a explosão nuclear em NY. A perda seria aceitável diante do pior que iria ocorrer adiante. E parece que esse “pior” está próximo de acontecer.
De volta às origens
Cada vez mais Fugitives lembra a primeira temporada. E não é só mera lembrança, o volume atual vem aos poucos amarrando pontas da história que ficaram soltas no passado. É como se os acontecimentos atuais fossem uma continuação de um plano maior, iniciado no começo da série.
Quando Angela e Linderman apóiam a destruição de NY, ainda não sabíamos que Angela tinha o poder de ver o futuro. Então essa decisão tinha um motivo ainda oculto para ser tomada. E como mostra esse episódio, Linderman, Charles e Bob desde jovens, estavam dispostos a fazer esse tipo de escolha.
Já vimos também um outro possível futuro se caso NY fosse destruída, com Sylar tomando o lugar de Nathan. E mesmo se evitando a catástrofe, Sylar seguiu o curso previsto e está se tornando o vilão de primeira linha já premeditado naquela época.
Olhando por esse ponto de vista, daria para esquecer totalmente o que houve na segunda temporada e em parte o que houve em Villains, os dois piores momentos da série.
Caminhando para... X-Men?
Antes mesmo de Heroes ir ao ar havia um comentário geral de como a série se parecia com X-Men. Mas o foco nos dramas pessoais, na forma de lidar com os poderes de forma mais humana fez a série de TV se afastar, de certa forma, da série de quadrinhos. Volta e meia comparações ainda são feitas, principalmente em relação aos poderes (Peter com a Vampira, etc) sendo reforçada agora com Alice que é uma espécie de Tempestade.
Algo que eu pessoalmente sempre quis que “copiassem” de X-Men (entre aspas porque algo igualzinho também seria ridículo) era o Instituto Xavier. E aquela reuniãozinha familiar ao final do episódio parece indicar que uma nova instituição vem aí, só que menos formal como a Companhia. Captaram?
Se isso acontecer, a série só tem a ganhar, porque já passou da hora desse pessoal ficar vagando por aí sem rumo. Espero que isso aconteça.
Temas apresentados
Esse episódio do passado foi bem parecido com o “Into Asylum” no sentido de fazer diversas reflexões sobre o papel das pessoas no mundo, a questão da liberdade, confiança e valores familiares. A diferença é que aqui tivemos novidades de fato, e algumas boas cenas de ação e de suspense. Clima total da primeira temporada.
As cenas de 1961 foram muito bem feitas e a escolha do elenco também agradou (principalmente a atriz que fez a jovem Angela) . Os detalhes da época foram bem retratados, cenários, roupas e até atitudes (como o Charles sendo repreendido pelo atendente da lanchonete por ser negro).
Mas ainda acho que há algum problema em certas cenas de puro diálogo, não sei se é em relação a direção da cena, ou ao roteiro em si. Mas algo ainda não está se encaixando.
Ponto alto
Vou ter que mencionar dois. O primeiro quando a irmã de Angela começa a se desesperar e a fugir de Chandra Suresh, causando o maior rebuliço no acampamento. O outro ao final, quando Sylar faz um discurso no lugar de Nathan.
Ponto baixo
Pegaram uma atriz nada a ver para ser a irmã da Angela no presente. No passado a menina se assemelha a irmã, cabelos lisos, escuros, olhos castanhos. Depois de velha a menina ficou com os cabelos loiros e encaracolados, e os olhos se tornaram azuis, magicamente.




